sábado, 7 de agosto de 2010
First time in India? Oh...bad experience.
Foi tal e qual assim o que me disse a rapariga indiana que durante 8 horas de viagem de autocarro se tinha mantido completamente emudecida.
Uma viagem dura, penosa, cansativa e desafiante. Ser roubada na India, a dez mil kilometros de distancia de casa parece pior do que ser roubada em qualquer cidade da europa: por muito que saiba que nao fui a primeira e que nao serei a ultima, custa sempre, principalmente quando ficamos sem passaporte e de repente ninguem parece entender ingles.
Uma dica: nunca, mas nunca tirar a mochila das costas, nem que seja por um segundo e estejamos a 30 cm dela. Mais vale ir a uma casa de banho e tira la das costas e voltar a coloca-la. E muito cuidado nos autocarros, ainda que a viagem seja de dez horas ou mais, tomem cafes ou vitaminas, mas nao fechem os olhos.
No momento tudo pareceu um pesadelo interminavel: o roubo, a impossibilidade de comunicacao com a policia e com as pessoas, o calor, a humidade, a sujidade, o autocarro atolado de gente, a estrada sem luz que mais parecia uma montanha russa... e apesar de eu ter a nocao que mais tarde ou mais cedo esta historia se iria converter em mais uma grande experiencia e uma licao de vida, incrivelmente o lado racional simplesmente recusou se a aparecer durante umas longas horas... mas acabou por aparecer, claro.
A cereja no topo do bolo nesta viagem terrorifica foi quando pedi para pararmos porque nao aguentava mais a aflicao: tinha de ir a casa de banho!
Primeiro, fiquei surpreendida com a "quase rapidez" com que atenderam ao meu pedido, para logo em seguida perceber que teria de ser ali mesmo:
entao, a beira da estrada, sem pudor nem orgulho, tive de levantar a saia e fazer xixi perante uma plateia de trinta e tal indianos que olhavam extasiados colados aos vidros da janela - Welcome to India.
Depois disto tudo, o pior que veio foi o grande desapontamento comigo propria, a vozinha na cabeca a dizer: "miuda, viajaste para tanto lado, sozinha, acompanhada, de comboio, de carro, de aviao, em paises civilizados e em paises do outro mundo, e sempre, sempre sempre foste tao esperta, cuidadosa e atenta... e agora, por um minuto de distraccao pimba!" devia ter estado mais atenta, ou mais alerta e , infelizmente ser mais desconfiada (e que eu detesto ser desconfiada). Mas pronto, la me perdoei a mim propria e segui em frente.
Lembro me de muita coisa me ter passado pela cabeca, desde "mas eu nao merecia isto, sou tao boa pessoa", "vem uma pessoa trabalhar de graca para a India, para ajudar o pais e e esta a paga que recebe", "mas como e que eu nao consegui evitar isto", "ai se eu pudesse voltar atras aquele minuto", "se calhar isto e um sinal, do genero, roubam me as coisas para eu entender verdadeiramente a India, porque a maioria das pessoas vive na miseria e nao tem nada, e o material nao e o mais importante na vida", as coisas que se atiram para o ar no calor do momento e da desilusao.
No dia seguinte, ainda com um turbilhao de pensamentos na cabeca, enquanto (acreditavam eles) me tentavam relaxar numa casa de shisha, dei comigo entre dois indianos e dois ucranianos, a falarem as suas linguas maes, e eu ali solta a olhar para o tecto... e sem tristeza ou autocomiseracao, enchi me de orgulho por ser quem sou e como sou, por ter escolhido este desafio de querer vir para um sitio tao diferente e onde nao estivesse nem mais um portugues, por enfrentar as adversidades sem lhes virar as costas e por, ainda assim, nunca perder a docura, a fe e a crenca infinita nas pessoas e no amor.
O facto de este imprevisto ter acontecido nao me impede de continuar a experienciar ao maximo todos os segundos, se assim fosse eu nao seria eu.
Pelo contrario, agora vou experienciar a dobrar, porque nem pensem que saio daqui sem levar o coracao bem cheio de emocoes e boas memorias e bem vazio de magoa: India, continuo a gostar de ti, com todas as tuas imperfeicoes.
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simplesmente lindo! Aquilo que não me destrói fortalece-me, é esse o pensamento! beijinhos ;)
ResponderEliminarBeijo grande lindo
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